É consenso entre os estudiosos desse tema que comportamentos agressivos físicos ou verbais, direcionados de modo intencional e repetitivo a um ou mais indivíduos sem motivo aparente ou provocado, se caracteriza bullying. O professor Dan Olweus da Universidade de Bergan na Noruega, nos anos de 1980, pesquisou e criou os primeiros critérios para identificar e diferenciar a prática de bullying, de outros atos similares. Ele identificou a princípio dois tipos:
·
Bullying direto, comum
entre os agressores masculinos;
· Bullying indireto, comum entre mulheres e crianças, causando entre outras coisas,
o isolamento social da
vítima.
Existe uma correlação entre o agressor e a vítima de bullying em ambiente escolar; é preciso estar atento aos sinais, como por exemplo, uma criança ou adolescente com baixa autoestima, tímida, retraída, com poucos ou nenhum amigo costuma ser ou estar sendo alvo de bullying. Esses são traços psicológicos mais frequentes na população estudada e vítima de bullying, pelo professor Olweus.
Mas para além dos traços
psicológicos, fazem parte também características físicas, religiosas, étnicas,
culturais, sociais e de gênero como alvos de bullying e até cyberbullying.
A
principal diferença entre as piadas, apelidos e brincadeiras de uma agressão, é
se são aceitáveis e se são propícias ao momento e ambiente em questão. Um
exercício de empatia pode resolver a dúvida, ponha-se no lugar do colega que
está sendo alvo das piadas; como você se sentiria, honestamente? Ainda assim,
tenha em mente, que a régua que mede seu grau de resiliência e tolerância a
piadas, é diferente dos demais. E para ilustrar essa informação de maneira
lúdica e didática escolhi um poema infantil que diz assim:
Pontinho de Vista
Eu sou pequeno, me dizem,
e eu fico muito zangado.
Tenho de olhar todo mundo
com o queixo levantado.
Mas, se formiga falasse
e me visse lá do chão,
ia dizer, com certeza:
— Minha nossa, que grandão!
Pedro Bandeira
As vítimas de bullying,
comumente, perdem o interesse pelo ambiente escolar, que passa a ser percebido
como hostil e ameaçador; com essa percepção associada a um perfil psicológico
com baixa autoestima, a tendência a não reagir e não reportar as agressões aos
pais e professores é alta, mantendo a criança nesse ciclo de violência e silêncio
que impacta em seu desenvolvimento acadêmico e social. Nesse cenário não é
difícil entender por que as taxas de evasão escolar crescem a cada ano.
Existe um provérbio africano que diz: “É preciso uma aldeia inteira para criar uma criança.”
Traduzindo esse ensinamento
que remonta a criação e o estabelecimento de vínculos praticados nas sociedades
tidas como primitivas, entendo, que para formar cidadãos tolerantes,
colaborativos, generosos e empáticos, é preciso a união de esforços da escola,
pais e sociedade, com objetivos claros em educação e formação de indivíduos
equilibrados emocionalmente, capacitando-os para a resolução de conflitos.
Este breve artigo tem como
proposta informar que o Bullying não é uma brincadeira. Pais conversem com os
seus filhos sobre o tema; professores observem o comportamento de seus alunos.
REFERÊNCIA
QUINTANILHA, Clarissa Moura.
Um olhar exploratório sobre a percepção do professor em relação ao fenômeno
bullying, 2011.
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